Enxofre 
Tudo sobre o enxofre e produtos a base de enxofre

 

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CICLO DO ENXOFRE

O enxofre do solo está sujeito a transformações microbianas, influenciadas pelas condições ambientais que afetam a composição e a atividade dos microrganismos. Em todos os solos, em maior ou em menor intensidade, ocorrem os seguintes processos:

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Mineralização ou decomposição de enxofre orgânico com liberação de formas inorgânicas; Imobilização ou conversão do enxofre do enxofre inorgânico em compostos orgânicos dos microrganismos; Produção de sulfetos (S2-) pela redução de sulfatos; Produção de formas voláteis; Oxidação de enxofre elementar ou outras formas reduzidas. Os minerais primários, especialmente sulfetos metálicos de Fe, Zn, Cu, Ca e Mg, são fonte original do enxofre no solo. Seu intemperismo, com a ocorrência de processos físicos, químicos e biológicos, origina outros compostos ou formas de enxofre que são utilizados por outros microorganismos ou plantas. A água da chuva, a água da irrigação, atmosfera, os fertilizantes e os pesticidas à base de enxofre são outras fontes que contribuem para o suprimento de enxofre ao solo.

A incorporação ao solo de formas gasosas de enxofre pela adsorção direta ou pela dissolução na água da chuva, é variável entre regiões e apresenta maior importância nas proximidades de áreas urbanas e industriais. O enxofre ocorre no solo em formas orgânicas e inorgânicas. O fracionamento do enxofre orgânico, que em solos bem drenados de regiões úmidas constitui a maior parte do enxofre total, indica a ocorrência de três formas:

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Compostos com ligação S-O (sulfato de ésteres); Compostos com ligação S-C; Enxofre inerte ou residual (Enxofre em compostos não identificados). O enxofre ligado ao oxigênio consiste principalmente de sulfato de ésteres (Sulfato orgânico com ligações C-O-S). Como exemplos destes compostos pode-se citar o sulfato de colina, sulfatos fenólicos e polissacarídeos e lipídios sulfatados. Essa fração constitui em média cerca de 50% do enxofre orgânico e é obtida pela redução a H2S por ácido iodídrico (HI) e é também denominada enxofre reduzível.

O enxofre ligado a carbono (Enxofre em compostos com ligação S-C) é encontrado principalmente em aminoácidos (cisteína e metionina). Entretanto, estes aminoácidos são poucos estáveis e não se acumulam no solo. Assim, outros compostos não conhecidos participariam da fração C-S. A obtenção desta fração pode ser feita pela diferença entre o enxofre total e o enxofre reduzível (S-O) ou pela sua redução a H2S pela liga de Raney. Porém, os teores encontrados por redução são menores que aqueles obtidos por diferença, o que indica a existência de outras formas de enxofre orgânico não conhecidas, as quais constituem a fração de enxofre residual ou inerte. As frações S-C e enxofre residual representam em média cerca de 20 a 30% do enxofre orgânico, respectivamente. Em solos brasileiros, encontraram-se valores médios de 7 e 42%, respectivamente, para estas frações.

O fracionamento das formas de enxofre orgânico tem sido estudado para auxiliar a avaliação da disponibilidade para as plantas, já que certas formas são facilmente mineralizadas. A fração S-O apresenta mineralização mais rápida por ser facilmente hidrolizada a sulfato inorgânico. As frações S-C e, principalmente, enxofre residual são mais estáveis no solo. Entretanto há indicações de que tanto as frações S-O como S-C podem contribuir para o suprimento às plantas, tornando de pouca utilidade o fracionamento do enxofre orgânico.

O enxofre inorgânico pode ocorrer no solo com vários estados de oxidação. As principais formas são:

Sulfato (SO42-) em solução; Sulfato adsorvido à fração sólida; Formas reduzidas como dióxido de enxofre (SO2), sulfito (SO32-), enxofre elementar (S0) e sulfeto (S2-). Em solos bem drenados, as formas reduzidas são facilmente oxidadas a SO42-, sendo esta forma inorgânica predominante e pela qual o enxofre é absorvido pelas plantas via sistema radicular. Entretanto as formas reduzidas, principalmente sulfetos e H2S, são importantes em solos alagados ou em condições de anaerobiose. Em condições de má drenagem ou aridez pode ocorrer o acúmulo de sais solúveis de enxofre, enquanto que em solos alcalinos ou calcários pode haver o acúmulo de sais insolúveis de enxofre ou co-cristalizados com CaCO3, os quais são pouco disponíveis às plantas.

O teor de enxofre total nos solos pode variar de 0,002 a 3,5%. Os valores mais elevados ocorrem em solos alcalinos ou calcários, principalmente em regiões secas, pelo acúmulo de sulfatos; em solos não calcários o teor de enxofre é inferior a 0,1%.

Geralmente os solos de regiões tropicais apresentam menores teores de enxofre total e orgânico que os solos de regiões temperadas devido à maior mineralização e ao maior intemperismo, que determinam maiores perdas. Por ser constituído principalmente por frações orgânicas, o teor de enxofre total no solo não é um parâmetro adequado para indicar a disponibilidade para as plantas a curto prazo.

Entretanto pode indicar o potencial de suprimento de enxofre pelo solo.

Os fatores de formação do solo influenciam o teor de enxofre total, sendo que provavelmente o clima e a vegetação são os mais importantes. O material de origem seria o fator mais importante em relação às formas inorgânicas de enxofre, pois tem grande influência sobre as propriedades físico-químicas do solo.

A maior parte do enxofre do solo, em geral mais de 90%, encontra-se em formas orgânicas. Isto é comprovado pelas altas correlações verificadas entre os teores de carbono orgânico ou nitrogênio total e os teores de enxofre total ou orgânico. A estreita relação entre o carbono orgânico e o enxofre supõe uma relação C/S relativamente constante em solos de diferentes regiões climáticas, o que, entretanto, não é observado. Esta variação estaria relacionada aos fatores de formação do solo.

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